sexta-feira, 5 de março de 2010

Doida ou Santa? Marta Medeiros


"Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa”.
São versos de Adélia Prado, retirados do poema A Serenata. Narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão - não sabe como receber  um novo amor não dispondo mais de juventude. E encerra:  “De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?”
Adélia é uma poeta danada de boa. E perspicaz. Como pode uma mulher  buscar  uma  definição exata para si mesma, estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada onde encontrou alegrias e desilusões,  e  tendo  ainda  mais  estrada  pela frente?  Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões - e a gente sabe como as desilusões devastam - terá que ser meio doida. Se preferir  se abster de emoções fortes e  apaziguar  seu  coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?
Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa.. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Nem ela, caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu  tanto  azar  em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores  que  passou  a  se  contentar  com  dias  medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa mesmo, só Nossa Senhora, mas cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? (não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do).
Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar 'the big one', aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar  uma vida, não é mesmo? Mas, além disso,temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca,   pensaremos  em jogar tudo pro alto e embarcar num navio-pirata comandado  pelo  Johnny  Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada,dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante.Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a  idade  que   tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseja mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.'

A Serenata Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardin.
Estou no começo do meu dessespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

O nu sobre a luz da lua....uma historinha....

O nu sobre a luz da lua....uma historinha....
Terça feira de Carnaval, madrugada, cansaço, muito cansaço, o jovem casal ia pela rua se arrastando de exaustão....
Parei para me lembrar deste fato ocorrido a 30 anos atrás.....fazer cinqüenta anos dá nisso (nostalgia).
O marido me sugeriu parar no apartamento da irmã para podermos dormir um pouco depois da noite de folia, era metade do caminho para chegar em casa, a irmã em questão havia viajado e deixado o pequeno apartamento aos cuidados do irmão, aceitei de imediato a oferta pois meus pés já não agüentavam, apesar dos 20 aninhos era o último dia de carnaval, a folia tinha me esgotado.
Entrei em um apartamento totalmente estranho, nunca havia estado lá, era minúsculo, (ridículo chamar aquilo de apartamento), era um cômodo só com um minúsculo banheiro e um canto que lembrava uma cozinha, no meio do que supostamente parecia uma sala conjugada com um quarto, havia uma cama de casal, o lençol muito bem esticado, e a grande janela (a única coisa de bom tamanho) a luz da lua penetrava através do vidro e iluminava a grande cama tão convidativa, a cena era muito mais gostosa do que bonita.
Ao abrir a porta e me depara com aquela cama e aquela luz da lua iluminando tudo, nem havia necessidade de acender a luz, de tão claro que estava o pequeno apartamento. Corri para o banheiro tomei uma boa chuveirada e me lembro que a água estava extremamente fria, mas gostosa, rapidamente mergulhei na cama sem travesseiro, sem lençol de cobrir, sem absolutamente nada, nem me preocupei em vestir a roupa tal era meu cansaço, deixei a fantasia de carnaval jogada no canto. Logo após meu marido foi para o banho.
Lembro-me ter adormecido imediatamente.
De repente acordei com muitos beijos nas costas, nem acreditava....o marido ainda ter gás naquela noite depois de tanto carnaval, o meu já tinha se esgotado, me virei sonolenta para protestar e manifestar o meu cansaço mas .......me deparei assustada com dois olhos azuis lindos, um perfume diferente, uma mão macia .....a primeira impressão foi de que estava tendo um maravilhoso sonho, mas um sino do juízo bateu o susto me sacudiu e o estranho lindo dono dos olhos azuis também, foi como se tivéssemos levado um grande choque.
Foi a situação mais constrangedora que eu nem me lembrava que havia passado, foi inusitado.
Imagina a cena, você dormindo nua em uma cama estranha de um apartamento estranho e de repente entra um lindo deus grego te acorda com beijos deliciosos imaginando você ser a sua namorada. O susto e a surpresa foi tanta quanto o constrangimento do momento após. Tudo ficou esquecido no fundo do baú do meu inconsciente, até cinco anos após o fato.
Estava eu começando a tão tardia faculdade, no primeiro dia de aula entra o tão esperado, comentado e cobiçado pelas alunas o professor de Administração, matéria principal do curso, e para surpresa minha o tal deus grego, dono do mais lindos olhos azuis que já tinha visto entrou na sala de aula, e era nada mais nada menos que o lindo estranho do beijo da noite do meu nu a luz da lua do ultimo dia de carnaval a 5 anos antes, foi ai que me lembrei da cena novamente, tentei me ocultar deslizando para baixo da carteira, mas fui imediatamente reconhecia por ele, que soltou a frase irônica – eu te conheço- disse isso apontando pra mim, eu queria que chão se abrisse, respondi –e como professor!!!! – mas já não havia jeito de ocultar o jeito foi enfrentar afinal eu teria que conviver com ele por um bom tempo de curso. Mas para o meu espanto, que durante todo o curso  ele nunca mencionou o fato, mesmo eu tendo uma convivência mais próxima a ele como sua monitora, foi como se não tivéssemos nunca nos encontrado fora dali. Não preciso mencionar que isso foi de grande alivio.
Então 50 anos, trinta anos se passaram, ia eu pela rua triste e pensativa com várias indagações sobre a minha vida e a nova fase, a nova idade, a menopausa, a separação enfim o rumo novo que a minha vida vinha passando. Senti um perfume conhecido pairando no ar da rua, senti uma mão segurar meu braço, me assustei, me deparei de repente com um jovem senhor com lindos olhos azuis, me olhando, cabelos lindos grisalhos e sorriso de satisfação maravilhoso, então o tal professor se transformou em um lindo senhor e que senhor!!!!. Ele demonstrava sem o menor disfarce uma alegria de estar ali me reencontrando e não cansava de repetir o quanto eu estava bem e o quanto se lembrava de mim durante todo este tempo. E de repente ele fica sério e muito sem jeito diz pra mim que gostaria de confessar uma coisa que guardava todos esses anos, fiquei curiosa, foi quando ele declarou que tinha muita vontade que eu soubesse  o quanto a imagem do meu corpo nu na cama a luz da lua naquela noite mexeu com ele e o quanto aquela cena nunca havia saído da sua cabeça, essa imagem.
Enfim 50 anos....levei trinta para saber que algum dia mexi profundamente com o tal cobiçado e lindo professor da faculdade....e viva a auto estima!!!!!!!!!!!!!!!!!!


quarta-feira, 3 de março de 2010

Marta Medeiros


Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.




Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!

Enviado por Elise Nogueira

"Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração

Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente, o sol bem quente lá no meu quintal

Toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá a mão
Ele fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir

Amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor

Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver

Não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude, o solidário não quer solidão

Toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão

Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração

Toda vez que o adulto fraqueja ele vem pra me dar a mão"

14 Bis

terça-feira, 2 de março de 2010

SEJA FELIZ E PRONTO... (Jabor)

A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
Ha ha ha ha ha ha ha ha!
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... A realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim.
Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.
Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria.
Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus, confie e espere só NELE e pra relaxar que tal um cafezinho gostoso agora?

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios". "Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche".
Seja você mesmo sempre e VIVA A VIDA!!!!

A Idade de Ser Feliz (Mario Quintana)

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo, nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa.