domingo, 17 de outubro de 2010

Pele clara, obsessão universal



O Kama Sutra, escrito entre os séculos I e IV, define a mulher ideal como Padmini, aquela que tem "...a pele fina, macia e clara como o lótus amarelo..." No Japão, do século IX ao XII, período de Heian, a valorização da pele branca era regra geral. Para obter a aparência extremamente clara as mulheres aplicavam um pó espesso e argiloso feito de farinha de arroz, chamado oshiroi. Depois passaram também à usar o beni, pasta feita do extrato de açafrão, para colorir as maçãs do rosto.
Aproximadamente em 150AC o físico Galeno criou o 1o creme facial do mundo, adicionando água à cera de abelha e óleo de oliva. Mais tarde o óleo de amêndoas substituiu o azeite e a incorporação de bórax contribuiu para a formação da emulsão, minimizando o tempo de processo. Estava aí a primeira base para sustentar os pigmentos de dióxido de titânio e facilitar a aplicação na face; nascia a base cremosa facial.

E a tentativa pela beleza....continua valendo tudo


Ainda na história da cosmetologia, encontramos a rainha Elizabeth I, que viveu na Inglaterra de 1500. Muitas fragrâncias italianas e francesas eram importadas por ela. Os tratamentos de beleza daquela época também ofereciam riscos: as mulheres aplicavam chumbo branco e mercúrio para obter uma pele pálida. Esses metais eram absorvidos e ocasionavam mortes. 
O chumbo era misturado ao vinagre para formar uma pasta denominada “cerusa”. Esse metal causava queda de cabelo e explicava a “moda” de testas extensas. O óleo à base de ácido sulfúrico (corrosivo), misturado ao extrato de ruibarbo, era usado como tônico e clareador capilar. Obviamente, também causava queda de cabelo. Batons eram feitos com uma mistura de cochonilha (pequeno inseto) e cera de abelha. Sombras brilhosas eram feitas a partir de pó de pérolas. Vinho tinto, leite de burra, água de chuva e até mesmo urina eram usados como clareadores faciais. 
As sardas eram indesejáveis, e um dos remédios para removê-las era a infusão de folhas de sabugueiro com seiva de vidoeiro e enxofre. Tal mistura era aplicada à pele ao luar e removida pela manhã com manteiga fresca. Claras de ovos batidas eram utilizadas como firmadoras da pele. Para combater os efeitos nocivos das pastas de chumbo, máscaras faciais eram feitas à base de raízes de aspargos e leite de cabra e aplicadas com pão morno.
Os cabelos eram lavados a seco com argila em pó. Eram, então, escovados, para que a oleosidade e a sujeira fossem absorvidas. Os penteados exóticos estavam na moda, e um gel capilar era feito à base de dejetos de andorinhas e sebo de lagartixa. 
Tomar banho não era um hábito, pois se acreditava que enfraqueciam o organismo. Era necessário usar perfumes para encobrir os odores. Todos os sabões eram perfumados com essência de lavanda. Na época da Revolução Francesa, as perucas e os cosméticos estavam na moda entre homens e mulheres. Era muito comum manter o cabelo curto e sujo por baixo da peruca, embora o xampu já tivesse sido inventado. As perucas eram feitas de lã e gordura animal e eram altamente inflamáveis.
Os benefícios estão sempre atrelados aos riscos. Passados 400 anos, a humanidade continua buscando recursos para se embelezar. A essa busca, agregamos a necessidade de determinar a segurança daquilo que nos torna mais belos.


A evolução Cosmetológica


Durante a dominação Grega na Europa, 400 aC, os cosméticos tornaram-se mais do que uma ciência, estavam menos conectados aos religiosos do que aos cientistas, que davam conselhos sobre dieta, exercícios físicos e higiene, assim como, sobre cosméticos. 
Nos manuscritos de Hipócrates, considerado o pai da medicina, já se encontravam orientações sobre higiene, banhos de água e sol, a importância do ar puro e da atividade física. Nesta época, século II aC, venerava-se uma deusa da beleza feminina, chamada Vênus de Milo.
Na era Romana, por volta do uno 180 dC, um médico grego chamado Claudius Galen realizou sua própria pesquisa científica na manipulação de produtos cosméticos, iniciando assim a era galênica dos produtos químico-farmacêuticos. Galen desenvolveu um produto chamado Unguentum Refrigerans, o famoso Cold cream, baseado em cera de abelha e bórax.
Os famosos banhos romanos eram centro de discussões e reuniões sociais para os senadores e aristocratas da época, mas caíram posteriormente em atos imorais condenados pela religião.
Também nesta época surgiu à alquimia, uma ciência oculta que se utilizavam de formulações cosméticas para atos de magia e ocultismo. Também foi nesta época que Ovídio escreveu um livro voltado a beleza da mulher "Os produtos de beleza para o rosto da mulher”, onde ensina a mulher a cuidar de sua beleza através de receitas caseiras.
Com a Idade Média vieram os anos de clausura para a ciência cosmética, um período em que o rigor religioso do cristianismo reprimiu o culto à higiene e a exaltação da beleza, impondo recatadas vestimentas. Esta época também chamada de "Idade das Trevas" foi muito repressiva na Europa, onde o uso de cosméticos desapareceu completamente, por isso também é chamada de "500 anos sem um banho".
As Cruzadas devolveram a este período os costumes "do culto à beleza e a ternura", que se incluíam os cosméticos e os perfumes.
Com o Renascentismo e com o descobrimento da América, no século XV, percebemos o retorno à busca do embelezamento. Todos os costumes e hábitos de vida da época são retratados pelos pintores, como por exemplo, a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, que retrata a mulher sem sobrancelhas, face ampla e alva, de tez suave e delicada.
 Miguelangelo também retrata na Capela Cistina os anjos, apóstolos, Maria - mãe de Jesus - e outros personagens, de forma clara, jovial cuja beleza é exaltada em sua plenitude. Porém, a falta de higiene persiste e os perfumes são criados para mascarar o odor corporal.

Durante a Idade Moderna, séculos XVII e XVIII, notam-se a crescente evolução dos cosméticos e também da utilização de perucas cacheadas. Neste período ainda persistiam os costumes de não tomar banho regularmente, o que proporcionou o crescimento da produção de perfumes, tornando-se de grande importância para a economia francesa desde o reinado de Luiz XIV. Contudo, o grande salto dos perfumes se deu quando Giovanni Maria Farina, em 1725, estabeleceu-se em Colônia, na Alemanha. Lá ele desenvolveu a famosa “água de colônia"
Farina  Criador do 1º perfume
No final deste século, os Puritanos, liderados por Oliver Cromwell, trouxeram um outro período, no qual o uso de cosméticos e perfumes ficou fora de moda. Este, talvez, tenha sido o período mais negro da história dos cosméticos, principalmente quando o Parlamento Inglês em 1770 estabeleceu que: "Qualquer mulher... que se imponha, seduza e traia no matrimônio qualquer um dos súditos de Sua Majestade, por utilizar perfumes, pinturas, cosméticos, produtos de limpeza, dentes artificiais, cabelos falsos, espartilho de ferro, sapatos de saltos altos, enchimento nos quadris, irá incorrer nas penalidades previstas pela Lei contra a bruxaria.... e o casamento será considerado nulo e sem validade."

sábado, 5 de junho de 2010

Ideal de beleza no Egito e Roma

Dizia-se que Popéia tinha a pele muito branca graças ao resultado de constantes banhos em leite de jumenta. Ela lançou moda e todas as romanas abastadas eram dadas às máscaras noturnas, onde ingredientes como farinha de favas e miolo de pão se combinavam ao leite de jumenta diluído para formar papas de beleza. Mas a verdade é que a bela complementava seus tratamento de clareamento da pele maquilando as veias dos seios e testa com tintura azul. Esta aparência translúcida foi imitada em misturas de giz, pasta de vinagre e claras de ovos durante muitas décadas.
Conta a lenda que Psyché foi buscar no inferno o segredo da pele branca da deusa Vênus, trazendo a cerusa, ou alvaiade, para compor suas fórmulas mágicas. Até a Renascença italiana esse mesmo alvaiade era usado durante o dia pelas lindas mulheres nobres, que à noite cobriam suas faces com emplastros de vitelo crú molhado no leite afim de minimizar os efeitos nocivos causados pelo alvaiade. O Kama Sutra, escrito entre os séculos I e IV, define a mulher ideal como Padmini, aquela que tem "...a pele fina, macia e clara como o lótus amarelo..." No Japão, do século IX ao XII, período de Heian, a valorização da pele branca era regra geral. Para obter a aparência extremamente clara as mulheres aplicavam um pó espesso e argiloso feito de farinha de arroz, chamado oshiroi. Depois passaram também à usar o beni, pasta feita do extrato de açafrão, para colorir as maçãs do rosto.

Ainda no Egito - Cosmetologia IV

A civilização egípcia ostentava grande conhecimento em pinturas para os olhos e para a face, e em óleos para o corpo e unguentos. Homens e mulheres usavam maquiagem, que não cumpria apenas funções estéticas, mas higiênicas. As pinturas para os olhos eram de cor verde (malaquita) e negra. Óleos e cremes eram aplicados no cabelo e na pele como forma de hidratação num clima seco e quente. Alguns egípcios raspavam completamente o cabelo (para evitar piolhos) e usavam perucas. Nessa cultura a beleza física, tanto de homens como de mulheres, era realçada com o uso de pinturas à base de hena, sobretudo em torno dos olhos e nas unhas.
A maquiagem era empregada em cadáveres, pois se acreditava que, ao ressuscitarem, precisariam estar belos. Todavia, os restos mortais encontrados em tumbas revelam que a maioria dos materiais usados eram brutos, como sulfeto de chumbo e carvão, e, provavelmente, causavam irritação ocular. Pinturas marrom-avermelhadas para a face continham grande quantidade de ferro. Diz-se que o batom de Cleópatra era feito de besouros vermelhos finamente triturados, que resultavam em um pigmento vermelho-intenso, que era misturado com ovos de formiga. Certamente, os efeitos tóxicos dessas misturas foram sentidos “na pele”.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Inicio de Tudo – Pré história e Egito Cosmetologia Parte III

A cosmetologia está relacionada com a história do ser humano, tão intimamente, que não se pode definir seu início. Desde a pré-história têm-se percebido cuidados para manter a pele íntegra. Os homens que habitaram cavernas já se utilizavam de tintas para pintar seus rostos e diferenciar-se dos demais.
Correlacionando a história do ser humano com a cosmetologia, podemos perceber uma preocupação com a organização de sensações, as quais eram mantidas pela aplicação de produtos sobre a pele. Torna se assim pouco mais compreensivo o poder da cosmética, pois aqueles que mais se preocupavam com a aparência da pele, usando recursos cosméticos, conseguiram aumentar sua alto-estima, aumentando assim seu controle sobre o corpo, equilibrando as energias e desenvolvendo uma melhor qualidade de vida.
Tais costumes eram tão mais nítidos que até as pinturas nas tumbas e catacumbas de pessoas influentes nos sistemas de sociedade da época, eram tratadas com maior cuidado para representarem o poder que em vida, o corpo, dentro embalsamado, continuasse representando.
O uso de cosméticos e portanto, a história da cosmetologia remonta há pelo menos 30.000 anos. Os homens da pré-história faziam gravações em rochas e cavernas, e também pintavam o corpo e se tatuavam.
Rituais tribais praticados pelos aborígines dependiam muito da decoração do corpo para proporcionar efeitos especiais, como a pintura de guerra. A religião era, também, uma razão para o uso desses produtos: Cerimônias religiosas freqüentemente empregavam resinas e ungüentos de perfumes agradáveis. A queima de incenso deu origem à palavra perfume, que no latim quer dizer “através da fumaça”.
Que tal uma viagem ao passado quando tudo começou??? Quando os recursos eram bem diferentes do que conhecemos hoje...
Estamos a muitos séculos antes de Cristo, na bíblia do velho testamento. Aqui encontramos diversos relatos de rainhas como Jezabel, Ester e Semíramis que já se utilizavam dos “extratos de embelezamento” para se tornarem mais bonitas e envolventes.
Cleópatra, a lendária rainha do Egito que viveu meio século antes de Cristo, utilizava-se de lamas do rio Nilo e leites de animais para deixar a pele mais fresca e mais jovem, cuidados estes que a consagraram como símbolo da beleza eterna.
Aparentemente os Egípcios foram os primeiros usuários de cosméticos e produtos de toucador  em larga escala. Alguns minérios foram usados como sombras de olhos e Rouge, assim como usavam extratos vegetais, como a henna. No entanto, os cuidados no Egito não se limitavam somente às mulheres. Pasmem! Já existiam os metrosexuais...Os faraós eram muito preocupados com a aparência e acreditavam que até mesmo depois da morte poderiam permanecer belos. 

Os faraós eram sepultados em sarcófagos que continham tudo o que era necessário para se manter belo. No sarcófago de Tutankamon (1400 aC) foram encontrados cremes, incenso e potes de azeite usados na decoração e no tratamento.
Vamos um pouco mais adiante, agora estamos na era medieval. Em busca de uma pele mais viçosa e driblando os poucos recursos da época , as damas da antiga sociedade grega e romana chegavam a utilizar as fórmulas mais absurdas e inimagináveis possíveis, tais como:
·         excremento de crocodilo misturado com água de flores
·         Pomadas compostas de gordura de pato,ungüento rosado e aranha amassada
·         máscaras de sopa de pão com leite de burra 
·         pombo triturado com pérolas em pó, mel e cânfora  até uma loção de sangue de avestruz misturado com orvalho fresco e urina de elefante

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Cosmetologia Parte II

Visão Filosófica
 Por definição, cosmetologia compreende o estudo do cosmos. A palavra Kosmos, do grego antigo, da qual deriva o nosso “cosmos”, significava, originalmente, ordem e arranjo e se aplicava à ordem em que todas as coisas se organizavam.
Entre 450 a 400 antes da era cristã, o filósofo Demócrito, citava que tudo está contido em um outro todo, ou seja, cada cosmos é finito e está contido em outro cosmos. Tal afirmação contradizia outros filósofos como: Tales (625 a 550 a.c.), Pitágoras (575 a 500 a.c.), Sócrates (450 a 400 a.c.), que afirmavam até então que o cosmos era infinito.
Originaram-se então os estudos em cosmologia, que com o avanço das tecnologias, a era atômica concluiram que a afirmação de Demócrito fazia maior sentido.
Com os estudos das tecnologias surgiu a idéia de que “todo ser animado ou não, é um cosmos”, possui uma gigantesca quantidade de partículas e estas agrupadas geram um “mundo” em ordem, que retorna ao sentido original da palavra Kosmos.
Visão antiga chinesa
Os chineses compreendiam o sentido da cosmologia, descreveram o ser humano como parte de um cosmos (mundo) e sob esse ponto de vista, que também o ser humano abriga um mundo interno (cosmos interno).

A divisão do mundo à luz da cosmologia, então estaria entre cosmos interno e externo.

Os chineses caracterizaram também que a divisão destes dois mundos era feita por uma fina membrana, a qual chamamos atualmente de pele.

Existem inúmeras linhas de pensamentos, vertentes mais comerciais e o mundo capitalista tentam modificar o sentido real da cosmologia, introduzindo o conceito de cosmética num plano de igualdade de sentido.

Entendemos que a cosmetologia tem assim um ângulo de visão diferente, afinal ela está contida na cosmologia, e abrange o estudo do uso dos produtos desenvolvidos.
Sob o ponto de vista dos antigos chineses, podemos então, entender a crescente preocupação do ser humano com a pele.
É ela que assegura a integridade física do nosso cosmos interno, protegendo das agressões do cosmos externo e garantindo a manutenção de todos os órgãos internos.
O maior órgão do corpo é a pele e ao identificar a sua importância, o homem passou o desenvolver produtos que proporcionam, cada vez mais, a integridade da mesma.