segunda-feira, 29 de março de 2010

Mulheres maduras colocam as pernas de fora


 Costuma-se dizer que depois dos 40 anos mulher alguma deve vestir minissaia. Mas aí vem a atriz americana Sharon Stone, 51 anos, e subverte a ordem das coisas. 

Ao pisar o tapete vermelho do Festival de Cannes usando um vestido Balmain curto, muito curto, ela roubou a cena. Com suas pernas de fora ofuscou suas colegas de profissão mais jovens colocando em xeque o que uma mulher com mais de 50 anos pode ou não vestir. 

Consultoras de moda são unânimes em afirmar que nada mais é proibido quando o assunto é moda. O que prevalece agora é o bom senso. "Se a mulher está com o corpo e as pernas em dia, não vejo o menor problema. A ditadura da estética está caindo cada vez mais", garante a consultora de moda Sílvia de Souza, que aponta as atrizes Christiane Torloni e Vera Fischer como exemplos desta tendência.
 

A jornalista Glória Maria, adepta incondicional do comprimento curto, é outra prova viva da teoria de Sílvia. Com pernas torneadas, ela desfila sem medo vestidos bem acima dos joelhos.
 

"Não são os outros nem a idade que determinam o que posso vestir. O Brasil tem essa caretice de estabelecer tabus. O que importa é a pessoa estar bem. E para chegar a esta conclusão é preciso se
 olhar de maneira crítica", analisa ela, que mantém a ótima forma caminhando no calçadão. 

Para a consultora de moda Glória Kalil, independentemente da idade, é preciso tomar cuidado antes de adotar um modelito curto. "Pode ficar over para quem tem mais de 50 anos. E as jovens, acima do peso, também devem ter discernimento." Em resumo: um bom espelho é sempre a melhor solução.


quinta-feira, 25 de março de 2010

Nem sempre amar é o bastante - Lya Quadros

Eu queria ver de novo o seu sorriso

Eu queria poder dar o que você perdeu
Poder ser o seu refúgio, o seu abrigo
Poder ser a luz capaz de te salvar do breu

Mas nem sempre amar é o bastante

Eu queria poder ser seu paraíso
Eu queria te dar mais do que alguém te deu
Te dizer que vai poder contar comigo

Hoje e sempre, porque tudo que eu tenho é seu

Mas nem sempre amar é o bastante

Eu não sei quanto tempo vai levar
Para arrumar as coisas dentro de mim
Mas uma hora tudo vai se encaixar
E eu vou me olhar no espelho e voltar a sorrir

Um dia dificíl (Florbela Espanca)

Lembro-me o que fui dantes. Quem me dera Não me lembrar! Em tardes dolorosas Eu lembro-me que fui a Primavera Que em muros velhos fez nascer as rosas! As minhas mãos, outrora carinhosas, Pairavam como pombas... Quem soubera Porque tudo passou e foi quimera, E porque os muros velhos não dão rosas! São sempre os que eu recordo que me esquecem... Mas digo para mim: "Não me merecem..." E já não fico tão abandonada! Sinto que valho mais, mais pobrezinha: Que também é orgulho ser sozinha, E também é nobreza não ter nada! (Florbela Espanca)

terça-feira, 23 de março de 2010

Decoradora diz que nunca teve crise de idade

PAULO SAMPAIO


da Revista da Folha

"Nunca tive crise de idade. Quando fiz 60, foi o dia mais feliz da minha vida. O segredo é que sempre havia sido muito bem amada, e continuava sendo. Tive poucos amantes, mas muito bons, até 60 e poucos anos, o que é um luxo", conta a decoradora Sílvia Kowarick, que não revela a idade exata, mas diz ter passado dos 70.

Primeira a aparecer na sessão de fotos, Sílvia esperou elegantemente duas horas até que todas chegassem -mesmo quando Marília Gabriela telefonou dizendo que estava presa no trânsito, por causa da forte chuva, ela não perdeu o humor.

"Deveria ter trazido a minha peruca preta", disse, vendo Isabella Fiorentino, Andréa Bilinski e Adriana Maluf passarem as mãos pelos cabelos lisos e brilhantes, em frente ao espelho do cabeleireiro improvisado na ante-sala do estúdio.

Sem dúvida, o humor tem desopilado o fígado de Sílvia ao longo da vida -louca por um uisquinho (de preferência, com soda) e por um salão (de festa), ela diz que "graças a Deus" sempre teve uma vida social muito intensa. "Não posso me queixar, eu aproveitei muito. Acho que por isso eu continuo inteira -tenho um background de vida que me abastece de bons momentos", explica.

A vida de Sílvia se divide em antes da separação, aos 38 anos, e depois. Na primeira fase, que ela considera tão boa quanto a segunda, teve três filhos, viajou e praticou seu esporte favorito, o hipismo. "A gente vivia jogando pólo na Europa: saíamos daqui com 16 cavalos, de navio. Por 20 anos, tudo o que eu fazia era montar. Fazia salto, dressage e cross country."

Um dia, o marido a deixou por outra. Começou a segunda fase: "Meus filhos vieram até mim, em fileirinha, e disseram: 'Mãe, a vida é sua, a senhora faz dela o que quiser'. Eles sempre me paparicaram muito", diz.

Sílvia começou a trabalhar com o que sabia fazer, decoração. Abriu, com uma amiga, a loja Plano's, "a mais bonita e bem frequentada da cidade". "O pessoal aparecia lá no fim de tarde, para bebericar, e criou-se o hábito de uma happy hour informal. Tempos depois, abrimos um bar com o mesmo nome", lembra.

Ela se levanta e pega dois artigos publicados na época em "Vogue" e em "Interview", com os títulos: "Personagem da Cidade" e "Our Lady in Town". "Até hoje, saio muito, mas não sinto mais segurança para chegar às seis da manhã e dar bom dia ao sol de vestido longo", diz.

Nas colunas sociais, aparecia sempre com amigos como o decorador José Duarte de Aguiar e o empresário Aparício Basílio da Silva (já mortos). "Uma mulher sozinha é muito boicotada socialmente, barrada mesmo. Mas eu sempre tive o meu lugar", conta Sílvia.

Com os amigos homossexuais, ela frequentou muito o "grand monde". "Queria me divertir e tive a sorte de encontrar companheiros maravilhosos. Era festa todo dia, a gente viajava, tinha o 54, em Nova York, o Regines, em Paris, eu ia em tudo."

Embora diga que sempre gostou se "apresentar bem nas festas", Sílvia não sabe citar nomes de grifes. "Na minha época, a gente não tinha essas preocupações específicas. Trazia coisas boas, de fora, mas sem olhar muito para o nome na etiqueta. Você acredita que eu nunca entrei na Daslu? Não sou de me emperequitar, me visto muito esporte, nem uso cremes, e só fiz uma plástica, aos 45. Se não tivesse medo, faria mais", diz.

Sobre eventuais vícios adquiridos na época mais festeira, ela diz que se manteve fiel ao Black Label com bastante gelo e soda. "Drogas? Nunca experimentei, uma falha na minha vida. Outro dia, meu médico, que é genial, disse: 'Quando é que você vai parar de beber uísque? Bebe vinho!' Cuido do meu peso, não como muito, sempre preferi exagerar na bebida do que na comida."

O cigarro ela deixou "fantasticamente", depois de 35 anos. "Parei de fumar de um dia para outro, quando vi na TV, em um especial, que os alvéolos (pulmonares) são como um campo de avencas ao vento -levinhos, suaves. Eu olhei e disse: 'Meu Deus, o que eu fiz com o meu pulmão esses anos todos!' Deixei de fumar no outro dia e, ao cometer esse desatino, engordei dez quilos. Depois, felizmente, perdi 12."

A produção chama Sílvia para fazer a foto. Ela entra no fundo infinito branco cheia de humildade e, de repente, acende como um farol. "Ela é maravilhosa", diz o fotógrafo Rafael Assef, enquanto Sílvia alterna as poses e ri de si mesma.

SÍLVIA KOWARICK, + de 70

O que come: pouca carne -mais frango e peixe- muita salada, verdura e frutas. Faz as três refeições, mas à noite come menos

Vitaminas: C e E

Água: mais de um litro por dia

Ginástica: personal trainer três vezes por semana, em casa, e caminhada de manhã

Cigarro: parou há mais de 20 anos

Texto enviado pela Eleika ****** Amei

Visita de rotina aos médicos. Todo ano a mesma peregrinação. Mastologista, ginecologista, oftalmologista, dentista...

Mas um dia, resolvi incluir um "ISTA"novo na minha odisséia.... Um DERMATOLOGISTA...
Já era hora de procurar uns creminhos mágicos para tentar retardar ao máximo as marcas da inevitável entrada nos ENTA.
Para ser sincera e nem um pouco modesta, entrei gloriosa nesta seita, com direito a uma festa memorável, que durou até as 10 horas da manhã do dia seguinte. Festa com música ao vivo, Los Años Dorados, na melhor boite da cidade, todos os amigos, fotografias... tudo maravilhoso. Na verdade, sentia-me espetacular. Tudo certo. Ninguém podia cantar para mim a ridí­cula frase da Calcanhoto 'nada ficou no lugar....'
Mas não sei o que deu no espelho lá de casa, que resolveu, do dia para a noite, tomar ares de conto de fadas. Aliás, de bruxas. E mostrar coisinhas que nunca haviam aparecido (ou eu não havia notado?). Pontinhos azuis nos tornozelos, pintinhas negras no colo, nos braços, bolinhas vermelhas na bunda... olheiras mais profundas...
Como assim???
Assim... Sem avisar nem nada. De repente, o idiota resolveu mostrar e pronto.
Ah, não! Isso não vai ficar assim.
Um "ista" novo na lista do convênio. O melhor.
Queria o melhor especialista de todos os "istas"!
Achei. Marquei. E fui tão nervosa quanto para um encontro 'bem intencionado' daqueles em que a gente escolhe a roupa íntima com cuidado, que é para não fazer feio.... nem parecer que foi uma escolha proposital... sabe como é, né?
Pois sim. O sujeito era um dermatologista famoso.
Via e cutucava a pele de toda a nata feminina e masculina da cidade..
Assim, me armei de humildade.
Disposta a mostrar cada defeitinho novo que estava observando, através do maquiavélico e ex-amigo espelho de meu quarto. Depois de fazer uma ficha com meus dados, o 'doutor' me olhou finalmente nos olhos, e perguntou: 'O que lhe trouxe aqui?'
Fiquei vermelha como um tomate. E muda.
Ele sorriu e esperou.
Quase de olhos fechados, desfiei minhas queixas.
Ele observou 'in loco' cada uma delas, com uma luz de 200wtz e uma lupa...
E começou o seu diagnóstico.
'As pintinhas são sinais do Sol, por todo o Sol que já tomou na vida. Com a IDADE (tóin!) elas vão aparecendo, cada vez mais numerosas. Vai precisar de um protetor solar para sair de casa pela manhã, mesmo sem ir à praia. Para dirigir inclusive. Braços e pernas e rosto e pescoço. E praia? Evite. Só de 6 às 10 da manhã, sob proteção máxima, guarda sol, óculos e chapéu. Bronzear-se, nunca mais.'
-Ahmmm... (a turma só chega às 11:00 !!!!)
-'Os pontinhos azuis são pequenos vasos que não suportam a pressão do corpo sobre saltos altos. Evite. Use sapatos com solado anabela ou baixos, de preferência. Compre uma meia elástica, Kendall, para quando tiver que usar saltos altos.
-Ahmmmaaaa.. .(Kendall??? E as minhas preciosas sandalinhas???)
-'As bolinhas na bunda são normais, por causa do calor. Para evitá-las use mais saias que calças. Evite o jeans e as calcinhas de lycra. As de algodão puro são as melhores... E folgadas..'
-Ahmnunght?? ?? (e pude 'ver' as de minha mãe, enormes na cintura, de florzinhas cor de rosa..... vou chorar!).
-'As olheiras são de família. Não há muito o que fazer. Use esse creminho à noite, antes de dormir e procure não dormir tarde. Alimentação leve, com muita fruta e verdura, pouca carne e muito peixe. Nada de tabaco, nem álcool... Nem café.'
E então a histérica aqui­ começou a rir....
Agradeci, peguei suas receitinhas e saí­ rindo, rindo....
Me dobrando de tanto rir! No carro comecei a falar sozinha.... Tudo o que deveria ter dito e não disse: 'Trabalho muito, doutor... muitas noites vou dormir às 2h, escrevendo e lendo.
Bebo e fumo. Tomo café. Saio pelas noites de boemia com os amigos e seus violões para as serenatas de lua cheia.... E que noites!!!! Adoro os saltos, principalmente nas sandálias fininhas. Impossível a meia elástica (argh!!). Calcinhas de algodão? E folgadas??? Adoro as justinhas e rendadas... E não abandono meu jeans nem sob ameaça de morte!!! É meu melhor amigo!!!!
Dormir lambuzada? Neste calor? E minhas duchas frias com sabonete Johnson para ficar fresquinha como um bebê, cada noite?
E nada de praia??? O senhor está louco é??? Endoideceu foi??? Moro em Recife, com esse mar e tudo.... E tenho só 40 anos.... Meia vida inteira pela frente!!! Doutor Filistreco, na minha idade não vou viver como se tivesse feito trinta anos em um!!! Até um dia desses tinha 39... E agora em vez de 40 estou fazendo 70???
Inclua aí na sua lista de remédios para as de 40 a 60, MEIA LUZ...
Acho que é só disso que eu preciso. Um bom abajour com uma luz de 15wts... E um namorado que use óculos... É isso... só isso!!! Entendeu???? '
Parei no sinal e olhei de lado... e um cara de uns 25 anos piscou o olhou para mim. Ah... e ele nem usava óculos!
Nunca fiz o que me recomendou o filistreco ISTA...
Minhas olheiras são parte de meu charme..
E valem o que faço pelas noites a dentro.... ah!!! se valem!
As bolinhas da bunda desapareceram com uma solução caseira de vitamina A, que quase todas as mulheres usavam e eu não sabia, até que contei minha historinha do 'bruxo mau'.
Os sinaizinhos estão aqui... sem grandes alardes... e até que já acho bonitinho.
O espelho é muito menor... o outro, eu dei a minha filha.
E meu namorado diz que estou cada dia mais linda! Principalmente quando estou de saltos e rendas, disposta a encarar uma noite de vinhos e música.
É claro que ele usa óculos.
Mas quando quero ficar fatal, tiro os seus óculos... e acendo o abajour.
'No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é, e outras, que vão te odiar pelo mesmo motivo. Acostume-se....'

segunda-feira, 22 de março de 2010

Crônica de Marta Medeiros


Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: 'olha, não dá mais'. Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo? Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: mas agora eu to comendo um lanche com amigos'. Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?
Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia. 
Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito! 
Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu. Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos, filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim. 
Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida. 
Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris. Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar. Resultado disso tudo: silêncio absoluto. 
O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.
Até que algo sensacional aconteceu...
Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher DEMAIS para ele.  Ele quem mesmo???
Martha Medeiros
"Nascemos e morremos sós...........por isso a nossa vida está em nossas mãos.. .é uma baita sacanagem deixar pro outro a responsabilidade de nos fazer feliz, pois somos totalmente responsáveis pela vida que optamos ter!!!!"
Torne-se uma pessoa linda pra você mesma, reconheça seu valor... E se ele não percebê-lo (valor) por achar que existem outras coisas ou pessoas mais importante na vida dele: ah minha querida! Sai fora! Você é mulher demais para ele!

“Nunca se deve engatinhar quando se tem o impulso de voar"  

quarta-feira, 17 de março de 2010

Por Que Mulheres Inteligentes Se Apaixonam Por Homens Idiotas? - Texto de Lya Quadros, do O Que Eu Não Disse, adaptado para o Diva Diz

É fato, meu bem! Toda mulher inteligente em algum momento da vida já se apaixonou por um idiota. Ou melhor, toda mulher inteligente já se apaixonou por alguns idiotas ao longo da vida. Eu fico NUDE, mas é a mais pura verdade! E sempre que uma mulher inteligente percebe que isso aconteceu mais uma vez, ela se sente a mulher mais estúpida do mundo, e se pergunta milhares de vezes: Por que mulheres inteligentes se apaixonam por homens idiotas? Esta pergunta ecoa em sua mente sem cessar, mas, como parece um dos grandes mistérios do universo, para o qual não existe resposta, depois de um tempo – curto ou extenso -, de uma inevitável dor de cotovelo – leve ou intensa – somada a uma atordoante ressaca moral, a pergunta se cala e a mulher volta a agir como um ser pensante. Porém, como a sua pergunta não foi respondida, não houve uma lição clara, e sem lição, não houve aprendizado. E assim, mulheres inteligentes permanecem suscetíveis a caírem de amores por homens idiotas.


Embora uma resposta precisa seja impossível, como qualquer explicação sobre o comportamento humano, vão aqui algumas teorias de porque mulheres inteligentes se apaixonam por homens idiotas, que podem ao menos contribuir para que elas identifiquem fatores que podem conduzi-las a situações de risco. Porque nessa vida, minhas lindas, viver já é um risco por si só!
A Síndrome dos Contos de Fada acomete praticamente todas as mulheres vida afora. E é uma síndrome bastante difícil de ser curada, tendo em vista ter sido forjada na infância, momento decisivo de construção de crenças, e ser repetidamente alimentada ao longo do tempo, por todo um arsenal cultural, que passa por livros, filmes, novelas, revistas…


A grande maioria das mulheres foi criada ouvindo ou lendo contos de fada. Salvo poucas exceções, a estrutura narrativa do conto de fada é bem simples: uma mocinha/princesa, um vilão, um salvador/príncipe. Vamos analisar os contos de fada clássicos:

• Cinderela: uma moça maltratada, uma madrasta má, um príncipe.

• Branca de Neve: uma moça envenenada, uma madrasta má, um príncipe

• A Bela Adormecida: uma moça adormecida, uma madrasta má, um príncipe

• A Bela e a Fera: uma moça encantadora, uma feiticeira, e uma fera (que vira príncipe)

• A Princesa e o Sapo: uma moça boa, uma feiticeira, e um sapo (que vira príncipe)

Todas essas histórias tem em comum uma idéia de amor que supera qualquer obstáculo. Um amor capaz de ver além das aparências, de vencer até a morte. Um amor perfeito, que, se não for impossível, é extremamente improvável encontrar. Uma história, por si só, surreal! Mas é essa a primeira idéia de amor que recebemos. E ela vai além: mais que perfeito, esse amor é eterno, sacramentado com o “…e viveram felizes para sempre”.

Esses contos de fada, que serviram como importante instrumento ideológico para adestrar mulheres de gerações ainda mais patriarcais, quando o espaço feminino se resumia ao espaço doméstico, quando manter o matrimônio era um “dever” da mulher, ainda hoje são perpetuados e causam distorções significativas na sua maneira de viver relacionamentos.

As mulheres não são mais ou exclusivamente “donas de casa” e “mães de família”, trabalham, podem ser independentes financeiramente, administrar grandes negócios… Mas não se quebrou a base cultural que as leva a acreditar que, mesmo quando tudo indica que não, algo mágico pode acontecer e fazer um romance dar certo. Como o sapato de cristal, ou apenas um beijo… Elas ainda almejam o amor perfeito, ainda acreditam que ele possa ser real e acontecer com todas. Em nome desse sonho, enxergam do outro apenas o que interessa ver, perdoam tudo, pensam que o outro pode ser salvo, resgatado, e que a derradeira recompensa será o amor esperado…

É preciso resistir à tentação de acreditar nos contos de fada. Eles são histórias, lindas histórias, mas apenas isso. No mundo real contemporâneo, no mundo da sociedade do espetáculo, do amor líquido, tudo é efêmero. O “felizes para sempre” nunca existiu, e, atualmente, dura ainda menos do que durava algum tempo atrás. As pessoas, especialmente os homens, estão mais egoístas, superficiais, insensíveis.

Então, páre e reflita: você pode estar querendo transformar um idiota em um príncipe encantado.